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COM ALEGRIA OS ACOLHEMOS...

COM TRISTEZA NOS DESPEDIMOS!

Por Argemiro Octaviano

PADRES CANOSSIANOS

No dia 06 de julho, depois de 52 anos na cidade de Santa Rita do Passa Quatro-SP, os Filhos da Caridade Canossianos partiram para outros lugares: Baixada Fluminense, Maranhão... No mês de junho, semanalmente foram abordados em uma coluna de um jornal da cidade um breve histórico desses mais de 50 anos.

“Os primeiros religiosos canossianos escreveram uma história heroica, mas no silêncio de uma doação sem reservas, no sofrimento de muitas provas.”

No começo do ano de 1969 visitou nossa cidade o Superior Geral dos Padres Canossianos, D. Clemente Serragiotto, vindo da Itália para tratar da implantação do segundo núcleo dos Canossianos no Brasil, aqui em Santa Rita. O primeiro era em Araras.

Já no domingo, dia 09 de março de 1969, às 18 horas, chegaram a nossa cidade os Padres Canossianos que se integraram a comunidade e regeram a paróquia de Santa Rita. Vieram os seguintes padres: Emmanuel Ítalo Viola e Giovanni Pio Corso que aqui se juntaram ao Padre Juliano Todesco, sendo este o primeiro Pároco desta ordem na nossa paróquia.  Por motivo de saúde foi retardada a chegada do Irmão Aldo Gregório Miotto. Aqui já se encontrava o Padre Clemente Serragiotto, Superior Geral da Congregação, que dirigiu os trabalhos de posse e instalação definitiva da Ordem Canossiana em Santa Rita.

Na segunda-feira, dia 24 de março de 1969, realizaram-se os atos de posse dos membros da Congregação dos Filhos da Caridade Canossianos. Após um dia totalmente dedicado às confissões comunitárias, no horário fixado, ou seja, às 19 horas, a comitiva oficial, integrada pelas autoridades e por integrantes das classes produtoras e do povo se dirigiu à Casa Paroquial para acompanhar os empossados e os visitantes até a escadaria da Igreja Matriz, onde o povo aguardava para as atividades cerimoniais. Um ato emocionante, demonstrado pelo nosso povo.

No alto da escadaria, representando as autoridades, o Presidente da nossa Câmara Municipal, Professor Júlio Nori Neto, saudava os sacerdotes empossados, dando-lhes

não só as boas vindas como também lhes oferecendo a cooperação dos poderes constituídos, pois o objetivo de todos é trabalhar para o bem de Santa Rita do Passa Quatro.

 Adentrando ao nosso templo, onze sacerdotes celebraram a missa. Logo após o Evangelho, o Padre Luis Eugenio Peres, Vigário Forâneo, representando o Arcebispo Metropolitano procedeu ao ritual de posse, iniciado com a provisão que nomeava os padres canossianos, a saber:

  Vigário Ecônomo da Paróquia: Padre Juliano Todesco;

  Vigário Cooperador da Paróquia: Padre Emmanuel Ítalo Viola;

  Capelão do Sanatório: Padre Giovanni Pio Corso.

Obedecendo ao ritual foi entregue ao novo vigário a Estola, que simboliza a autoridade paroquial, as chaves do Sacrário e acompanhado pelo co-celebrante Padre Diógenes da Silva Matthes, o novo sacerdote tomou posse do batistério (foto) e dos confessionários, ficando assim plenamente investido de suas novas funções.

Durante o cerimonial, o Padre Juliano foi acompanhado pelo Superior da Congregação dos Filhos da Caridade, Dom Clemente Serragiotto, que há dias se encontrava em Santa Rita para complementar a investidura.

Encerrado o cerimonial de posse, Padre Perez declarou em nome da autoridade Arquiepiscopal empossado o Padre Juliano que em síntese confirmou sua linha de trabalho para nossa paróquia, que, como afirmou é um prosseguimento do que foi planejado pelo seu antecessor Padre Diógenes, com intensificação do trabalho apostólico junto à juventude e à infância, como são os propósitos de sua congregação.

A entrega das oferendas para a celebração eucarística foi feita por membros do Conselho de Administração Paroquial que igualmente representam todas as camadas sociais da população.

Concluída a Missa, os sacerdotes empossados receberam os cumprimentos na sacristia os quais também se estenderam ao Irmão Gregório Miotto, que pertence à mesma congregação e ao Superior Geral Dom Clemente Serragiotto. E neste mesmo ano acompanhando a Reforma litúrgica estabelecida pela Santa Sé, foi realizada a reforma do Altar da Matriz.

A chegada dos Padres Canossianos, vindos da Itália, para nossa Paróquia de Santa Rita de Cássia se constituiu num acontecimento novo! Eles se integraram com muita facilidade nas ruas, nas famílias, nas comunidades rurais e urbanas, nos eventos sociais e cívicos, enfim em toda nossa sociedade. Sentiram-se em casa, uma vez que aqui ainda encontraram grande quantidade de italianos natos e seus primeiros descendentes que dominavam um pouco a língua mãe. Eram os “andarilhos de Deus”, como dizia o Padre João Drago.

   

 

 

 

 Na primeira foto, da esquerda para a direita: os Padres João Drago, Pio Corso, Modesto     Giacon  (Superior Geral), Renato Marchioro e o Irmão Aldo Gregório Miotto (mais tarde       Diácono).

 

 

 

 

 

 

 

 

 Na segunda foto, da esquerda para a direita: os padres Renato Marchioro, Pio Corso,   Clemente  Serragiotto, Papa Paulo VI, Egídio (Superior Geral da Congregação) – este foi o   único que que não veio para o Brasil, Emmanuel Ítalo Viola e Irmão Aldo Gregório Miotto.   Oportunidade da partida dos Canossianos para terras brasileiras.

 

 

 

 

 

 

Na foto abaixo, dia festivo da Primeira Comunhão na Capela Santo Antônio, no Córrego Rico. Presentes os Padres Renato Marchioro, Padre João Drago, o Irmão Gregório, as Irmãs Filhas de São José, e claro também as diversas catequistas daquela, hoje extinta, Comunidade.

MISSA NAS CASAS

No início da década 1970, oportunidade da inauguração do primeiro núcleo residencial do BNH aqui em Santa Rita, padre João Drago, numa noite fria de junho, celebrou uma missa na residência do senhor Roberto Zorzi, marcando assim a inauguração das 40 primeiras casas do Jardim 22 de Maio.

Na foto abaixo, da esquerda para a direita: Maria Milhoci Tofanin, dona Lilóca Machado, Argemiro Octaviano, Dirceu Oliveira, senhor Antônio Machado, o então vereador Roberto Zorzi e o inesquecível Padre João Drago (um santo em vida!)

PADRE JULIANO E PADRE RENATO

DESCONTRAÇÃO E EVANGELIZAÇÃO

 

Nos campos de futebol – nas missas!

Assim que o Padre Juliano assumiu a paróquia descobriram que um desses seus passatempos, além da música, o futebol. Treinou e jogou algumas vezes no time da Cinelândia, causando muita alegria e satisfação aos torcedores, numa época em que somente os padres eram vistos trajando batinas pretas e longas. Marcou época!

Na parte da manhã logo às 08h30 a Igreja Matriz ficava repleta da criançada da catequese a espera do Padre Renato. Era visível a animação com o padre no ensaio das músicas das missas daquele dia. Ficou marcada uma musica italiana, traduzida pelo próprio padre que assim cantava: Um homem vinha pela estrada tocando sua sanfona: fororomm, forromm, fororormmm (aqui imitavam o som da sanfona). A seguir: Um homem vinha pela estrada tocando seu tambor: pururum, pururumm, purururummmm!!! A criançada adorava. Em seguida padre Renato, às vezes se paramentava ali mesmo e anunciava: agora vamos rezar! Todos permaneciam atentos à santa missa!  Isso marcou época!

Se não me falha a memória, em 1979, cinco ônibus lotados de criançada da catequese, algumas mães e catequistas foram passam um dia durante a semana, em Poços de Caldas.

Pe. Renato Marchioro 

 

PADRE PIO

Padre Pio Giovanni Corso nasceu no dia 19 de fevereiro de 1909, na cidade de Fonzaso, província de Belluno, em Vêneto - Itália. Filho de Andréa Corso e de Ângela Sebben. Recebeu a ordenação sacerdotal aos 03 de julho de 1938, em Veneza. Foi um dos primeiros canossianos a chegar no Brasil.

  No dia 20 e fevereiro de 1969 chegou a Santa Rita, permanecendo entre nós até o dia de seu falecimento aos 23 de julho de 1976.

  Recebeu como homenagem da nossa municipalidade o nome de uma das mais belas avenidas de nossa cidade; “Avenida Padre Pio Corso”. Antiga Avenida Esperança de seguia da cidade até ao Sanatório Colônia Santa Rita, que por tantas vezes percorreu esse trajeto com pequena motocicleta, onde era capelão desse hospital.

 “Quando normalmente a maioria dos homens pensam em curtir sua aposentadoria, padre Pio deixava sua terra e vinha entre nós, para começar um serviço numa terra totalmente diferente e nova, com as inevitáveis diferenças de língua, cultura, mentalidade, e com um notável esforço, heroico, inseria-se entre o clero e o povo do Brasil, dando a todos um testemunho de sacrifício e de grande amor”.  

Assim começava o seu discurso, Padre Plínio Estanislau Toldo, nas exéquias de padre Pio. Era um reconhecimento de um serviço prestado à Igreja do Brasil com total dedicação.

Naquela tarde do dia 23 de junho de 1976, Padre Pio estava indo, como de costume, à Fazenda Sant’Ana, para dar catequese àquele bom povo da roça. A uma distância de seis quilômetros de casa estava marcado o seu encontro com o Pai que o chamava ao repouso eterno.  O seu fim foi trágico: à sua direita, bem na beira do asfalto, com sua inseparável mobilete, que lhe permitia deslocamentos rápidos para seu ministério, foi atropelado por um carro.

 Na sua sacola encontramos a coroa do rosário, uma pequena imagem de Nossa Senhora, o saquinho com números de bingo, porque após a catequese, ele costumava fazer um sorteio entre os presentes.  Padre Pio dizia que queria morrer trabalhando, o senhor o atendeu. A ele podemos aplicar as palavras da Escritura: “expôs sua vida pelo povo porque estava consciente que seu serviço era arriscado”.

 No Brasil, Padre Pio deixa uma lembrança inesquecível. Homem de coração devoto de Maria, dedicado ao sacrifício, caridoso até tornar-se mendigo para os mais pobres.

 Era capelão de um hospital psiquiátrico (antes para tratamento de tuberculose), com cerca de 1.200 doentes mentais. Muitos, porém, estavam abandonados naquele lugar e dor por serem indesejados pelos familiares.

Pessoas necessitadas de afeto e de amor, eles encontravam em Padre Pio um pai compreensivo que se doava a todos com a mesma generosidade e sacrifício. Visitava duas vezes por dia este lugar, e muitas vezes, caminhava meia hora a pé sob um sol quente para chegar ao hospital. Os doentes acolhiam-no com imensa alegria, quase como se acolhesse um pai. Preparava as festas com originalidade, transmitindo aos doentes todo amor que a sociedade e os parentes lhes negavam. Ele entrava tão profundamente nos problemas desses irmãos, que suas conversas em comunidade e com o povo eram sempre a respeito do que lhe acontecia no seu serviço. Para eles tratava-se de eloquente mendigo entre os moradores de Santa Rita e os amigos da Itália.

O campo do seu apostolado, porém, ficava restrito ao hospital. O ministério da confissão o compelia e para este estava sempre disponível. Numa salinha da Igreja Matriz, transformada em confessionário, atendia pacientemente ao ministério da reconciliação, e muitos são os testemunhos do povo a este respeito. A língua portuguesa criava-lhe alguma dificuldade, mas sua fé e seu amor ajudavam-no a fazer-se entender e compreender.

 Por tudo isso Padre Pio recebeu na ocasião de sua morte em superlativo plebiscito de amor e gratidão. Quando entrei na cidade com o corpo dilacerado e inerte, o povo de Santa Rita estava todo na rua e no hospital, foi necessário chamar a polícia para permitir ao médico, aos enfermeiros e ao amigo Sebastião Leitão, de compor o corpo.

 Na Igreja, onde estava sendo velado, durante a noite e o dia seguinte, estavam presentes os padres da paróquia e os da cidade de Araras com os seminaristas. Padre Pio recebeu homenagens do todo povo, sem distinção de credo religioso. Todos queriam tornar-se úteis aos padres que se sentiam rodeados de tanto amor e consideração. Prestaram homenagem aos seus restos mortais três Bispos, trinta Sacerdotes, um grandíssimo número de religiosos – Estigmatinos, Agostinianos, Franciscanos, Salesianos e Sacramentinos. E religiosas – Canossianas, Filhas de São José, Servas de Jesus Sacerdote, Irmãs de Jesus Crucificado, Irmãs da Divina Vontade. E milhares e milhares de pessoas vindas da zona rural e das cidades da redondeza. Era uma homenagem dada não somente a Padre Pio, mas também aos nossos padres que tão souberam inserir-se entre o povo brasileiro. O bispo da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Dom Bernardo José Bueno Miele, pontualizou o espírito de oração, o amor à Igreja e a admiração pela natureza do querido falecido. O prefeito decretou um dia de luto na cidade, no dia de seu sepultamento, o comércio fechou na parte da tarde, e as crianças que naquele dia deveriam celebrar com festas juninas, São João Batista, mantiveram silêncio e um recolhimento que deixou todos admirados. Durante aquele dia a juventude esqueceu sua vivacidade. Um povo inteiro, dentro e fora da Igreja, acompanhado por violão, órgão e bateria, elevou cantos de ressurreição. Uma coisa marcou muito: descendo do cemitério de mãos dadas, as crianças cantavam com suas vozes ressoantes: “Que alegria quando me disseram, vamos à Casa de Deus”. Era a certeza de que Padre Pio não morrera, mas havia entrado na vida eterna.         

 

PADRE JULIANO

 

Nos campos de futebol – nas missas!

Assim que o Padre Juliano assumiu a paróquia descobriram que um dos seus passatempos, além da música, o futebol. Treinou e jogou algumas vezes no time da Cinelândia, causando muita alegria e satisfação aos torcedores, numa época em que somente os padres eram vistos trajando batinas pretas e longas. Marcou época!

No dia 29 de maio de 1969, esteve em Santa Rita o time do “Scratch do Rádio”, da Rádio Bandeirantes de São Paulo, que enfrentou o time da Cinelândia em partida beneficente. Naquele tempo a Bandeirantes era líder em audiência!

 Estiveram em Santa Rita: Fiori Gigliotti, Ennio Rodrigues, Roberto Silva, J. Havilla, o cantor Oslain Galvão e outros. Venceu o jogo o time da S.E. Cinelândia, por 1 a 0, gol marcado pelo avante Dinho, após uma jogada individual de Leão.

Após o jogo, que contou com a presença e participação do PADRE JULIANO, o Clube Recreativo Santa Ritense (CRÓ) recepcionou os radialistas com um coquetel, de onde foram os mesmos para o Clube de Campo, onde lhes havia sido preparado um jantar.

Nesta oportunidade fizeram uso da palavra Amaury José de Lima, Ennio Rodrigues, o professor José Porfírio e por fim Fiori Gigliotti. Uma “brincadeira” no Delta Clube encerrou a visita do “Scratch do Rádio” em Santa Rita.

Na foto acima:

Em pé, da esquerda para direita: Belmiro Jordão (Canecão), Adão, Zezinho Zampronio, José Roberto Polizel (Zé Gaiola), José Augusto Giaretta (goleiro) Heraldo Luciano, o famoso radialista da Rádio Bandeirantes Fiori Gigliotti, Nelsinho, Sérgio Perussi (Bolacha), o treinador vindo de São Paulo, Chiquito Borges, Roberto Barioni e Nico Fadel. Agachados: Roberto Nascimento (Palito), Hermes Medeiros da Silva (Picola), Leão, Dinho (de uma família inteira de craques), Fernandinho Rani, Cal, Sérgio Barban e Padre Juliano (em destaque).  Foto cedida pelo amigo Heraldo Luciano.

Naquela época, os apelidos eram constantes no mundo da bola!

 

PADRE MANÉ

O Padre e o Pastor.

 

Numa tarde de domingo fomos informados de que Padre Mané havia sido internado na Santa Casa local. Era um pequeno agravamento do seu estado de saúde. Já beirando os noventa anos, ainda suportando o peso da idade, sofreu um distúrbio o que levou a internação.

Como grande amigo que somos, eu e minha esposa pra lá dirigimos para nos colocar a disposição, quem sabe para alguma eventualidade. Em vez de ajudar, fomos ajudados!

No exato momento em entramos no seu quarto de internação havia um Pastor Evangélico junto ao seu leito, orando e abençoando-o. Ele com todo humildade e sabedoria estava orando juntamente com o Pastor. No final do mini culto, vamos chamar assim, o Pastor, também muito sábio e humilde, com os olhos fechados, colocando as duas mãos na cabeça do padre, dizia mais ou menos estas palavras que ainda tenho alguma lembrança: “Óh! Amado Jesus, cubra com sua bênção este nosso irmão...”

Depois de terminada a oração, Padre Mané, com as mãos trêmulas coloca-as na cabeça do Pastor, fazendo o sinal da cruz e este segura firma nas suas e diz: Amém! Com os olhos fechados em concentração, agradece ao Padre e se despedem. Assim que ele saiu do quarto, falamos para o Padre: “Que beleza heim! Recebendo a benção do Pastor!” Foi quando ele nos disse: “Nós dois trabalhamos para Deus. Erguendo o indicador para cima, disse: "ELE, lá em cima saberá o que fazer!”

 

ALDO GREGÓRIO MIOTTO

 (Irmão Gregório)

Aldo Miotto, Gregório era o nome adotado quando entrou para a Congregação dos Filhos da Caridade Canossianos - esta congregação religiosa de padres e freiras, com sede em Verona – Itália.

Irmão Gregório chegou a Santa Rita ainda na década de 70 sendo que aqui recebeu a ordem diaconal. Diácono na hierarquia católica é uma função abaixo do padre. Sendo assim ele tinha mais tempo para se dedicar ao carisma a que ele tanto  amou: visita e assistência religiosa e material as pessoas enfermas. Em seus 18 anos de permanência em nossa cidade, possuía uma lista de 180 pessoas idosas e enfermas, das quais cerca de 60 pessoas eram permanentemente acamadas.

Um fato curioso era que essas pessoas, quando chegava o dia de sua visita, se preparavam, seguiam a risca a ordem médica dos medicamentos, se arrumavam para esperá-lo. Ás vezes o enfermo se constrangia com seus familiares pela indiferença que faziam quando de sua visita. Preconceito religioso era o mais comum. Ele nunca criou problemas. Sempre atendeu seus enfermos com delicadeza e paciência. Sua bagagem espiritual o preenchia de forças e coragem!

Algumas pessoas caridosas faziam uma doação em dinheiro ou gêneros alimentícios para que ele pudesse atender as famílias carentes. Possuía uma pequena conta poupança na Caixa Econômica Estadual onde ele usava esse dinheiro principalmente para pagar contas nas farmácias.

Além do atendimento aos necessitados possuía um rigor com a liturgia da Igreja. Rigorosa mas sem pompa. Quanto mais simples, melhor. Tinha um conhecimento litúrgico invejável.

Certa vez quando viajou em companhia de um adolescente, ao passar pelo pedágio, pegou a quantia certinha e entregou para o moço do caixa. O adolescente disse: É bom já trazer a quantia certinha. Isso ajuda o caixa! Ele respondeu: Não somente ajuda o caixa, como ajuda principalmente nós! Organização é o segredo de muito sucesso!

Muitas pessoas passaram por nós com uma folha de serviços prestados a nossa cidade. A maioria sempre cai no esquecimento. O Irmão Gregório é uma dessas pessoas que aos vai caindo.     

Irmão Gregório faleceu em Ribeirão Preto, quando trabalhava numa paróquia na Vila Virginia. Seu corpo passou por nossa cidade, ficando exposto na Igreja do Rosário, uma vez que naquele sábado estava acontecendo casamentos na Igreja Matriz, depois seguiu para a cidade de Araras, onde foi sepultado no jazigo da congregação.

 

 

GRITO ALÉM-MAR

(aos Canossianos)

Um grito além mar ouvi

Ouvi outros e tantos outros mais

Vim em direção ao grito

Deixando lá minha terra – longe demais.

    Além-mar deixei minha terra

    Deixei os meus, deixei minha gente

    E vim de coração aberto,

    Plantar a fé no grito descrente.

Do além-mar eu vim

Vim, quem sabe para ficar

O grito a grito

Todos hei de sufocar.

     Do além-mar eu vim

     Em socorro ao grito – vim sem parar

     Falo, e se preciso for em grito:

     O mandamento é amar.

 

 Antônio Moacir de Souza (in memoriam), dedicou uma poesia, em homenagem a Congregação Canossiana.

 

Os Canossianos agradecem de coração a Argemiro Octaviano e família pela bela homenagem publicada no Jornal "O Santarritense". Ao "nosso querido POVO" nossa eterna gratidão!